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terça-feira, 11 de março de 2014

BREVE HISTÓRICO DO VIOLÃO


A origem do violão data de aproximadamente 2.000 (dois mil) anos antes de Cristo, os arqueólogos encontraram na antiga Babilônia (1900-1800 a.C) placas de barro com figuras seminuas tocando instrumentos musicais similares ao violão atual. Um exame mais detalhado mostra que há diferenças significativas no corpo e braço dos instrumentos, o fundo é chato e não há muita relação com o "alaúde moderno", de fundo côncavo. 

As suas cordas são pulsadas com a mão direita, e o número delas não se dá para precisar,  mas em algumas placas pelo menos duas cordas são visíveis. Uma palheta, ou seja, um pequeno e fino pedaço de madeira, metal ou osso era usado para ferir as cordas e ficava presa no pescoço do instrumento por uma fita.

 Mulheres tocando flauta dupla, alaúde primitivo e harpa. Afresco encontrado em Tebas, Egito entre 1422 a 1411 a.C.
Afresco não datado: mulheres tocando harpa, alaúde primitivo, flauta dupla e lira, com uma criança ao centro.


Há duas hipóteses principais aceitas pelos musicólogos para o surgimento e desenvolvimento do violão até ao seu padrão atual mais conhecido, sendo a Espanha o palco central para este desenvolvimento.


  • ROMA

A primeira hipótese sugere que o violão seja derivado da chamada “Khetara grega”, que com o domínio do Império Romano, passou a se chamar “Cítara Romana”, era também denominada de "Fidícula" e assemelhava-se à lira. Teria chegado à Península Ibérica por volta do século I d.C. com os romanos; posteriormente, foram acontecendo as seguintes transformações: os seus braços dispostos da forma da lira foram se unindo, formando uma caixa de ressonância e um braço de três cravelhas e três cordas, e a esse braço foram feitas divisões transversais (trastes), ficando assim, estabelecidas as características básicas do violão.

Reconstrução de 1930 da cítara romana baseada em um afresco da Villa Boscoreale (Pompéia) / Museo della Cività Romana  

Figura grega com uma Khetara (Afresco não datado)

  • EGITO

A segunda hipótese sugere que o violão seja derivado do antigo alaúde árabe, que foi levado para a Península Ibérica através das invasões muçulmanas (egípcios, persas e árabes). A conquista da península se deu a cerca de 711-718 d.C., o alaúde árabe que penetrou na península na época das invasões foi um instrumento que se adaptou perfeitamente às atividades culturais da época e, em pouco tempo, fazia parte das atividades da corte. O número de cordas de um alaúde varia, elas são afinadas aos pares, que são designados como cordas duplas ou ordens. Após difundir-se pela Europa, o alaúde passou a ser denominado luth na França, dando origem ao termo luthier (profissional especializado na construção e no reparo de instrumentos de corda com caixa de ressonância, excetuando-se os dotados de teclado. Isto inclui o violão, violinos, violas, violoncelos, contrabaixos, violas da gamba e todo tipo de guitarra acústica, elétrica e clássica; alaúdes, tiorbas, bandolins etc).

Neste vídeo, você assistirá a uma peça do compositor inglês John  Dowland, um dos grandes nomes da história do instrumento, tanto como compositor quanto como intérprete.


Mulher tocando alaúde árabe à época


Alaúde árabe moderno

Na Espanha, os instrumentos conviveram e se desenvolveram com o decorrer dos anos; o primeiro passou a ser chamado de “Guitarra Moura” (derivado do alaúde árabe), possuía três pares de cordas e era tocado com um plectro (espécie de palheta), tinha um som ruidoso; o outro era chamado de “Guitarra Latina” (também denominado Vihuela, derivado da Khetara Grega), tinha o formato do número oito com incrustações laterais, o fundo era plano, possuía quatro pares de cordas e era tocado com os dedos, seu som era suave.


No início do século XVI, quando o violão contava com apenas quatro cordas, já havia grandes intérpretes, como: Alonso de Mudarra, Diego de Pisador, Miguel de Fuenllana, Esteban Daza, Luis Milan, entre outros. Já no final do século XVI, Vicente Espinel (Ronda, 1550 - Madrid, 1624) violonista conceituado, acrescentou uma corda a mais ao seu violão, a ideia foi aceita em todos os centros musicais da época, e a partir deste momento, o instrumento, com 5 cordas, passou a ser conhecido em toda a Europa como "Guitarra Espanhola". Juan Carlos y Amat (Monistrol, 1572 - 1640) foi o primeiro violonista a elaborar um método para o violão de 5 cordas em 1598. 

Já no século XVIII, o padre Miguel Garcia, da "Ordem de San Basilio", conhecido por Padre Basilio, acrescentou duas cordas ao seu violão, assim surgiu o violão de sete cordas e deste, o que viria a ser mais popularizado: o violão de seis cordas. Frederico Moretti (Nápoles, 1765 - Madrid, 1838) foi o primeiro músico a fazer um método para este violão. Com o padre Basilio iniciou-se uma nova etapa na história do violão, denominada "Período de Ouro do Violão", momento em que se concretiza a sua escola, repertório e formação de concertistas. A partir de então, despontam nomes reconhecidos no cenário global do violão, como: Ferdinando Carulli, Matheu Carcassi, Luigi Legnani, Mauro Giuliani, Dionisio Aguado, Fernando Sor, Napoleón Coste, Julian Arcas, etc. Entretanto, o violão desta época era menor em dimensão e mais frágil em construção do que o nosso violão moderno. 

Em meados do século XIX, Antonio Jurado Torres (Almeria, 1817 - 1892) foi o luthier que modificou consideravelmente o formato do violão que, desde então, passou a ter uma sonoridade maior e mais agradável. Um dos principais expoentes deste momento, foi o renomado violonista Francisco Tárrega, criador de uma nova técnica e um  novo repertório que vieram a definir a Escola Moderna do Violão. Com Tárrega, se consolidou o processo de transcrição: J. S. Bach, F. B. Mendelssohn, W. A. Mozart, Haydn, Albeniz e outros compositores de destaque foram transformados em obras violonísticas; deixou cerca de cem transcrições, além de diversas composições próprias. Nesta época, surgem grandes violonistas como: Miguel Llobet, Andrés Segovia, Heitor Villa-Lobos, Joaquim Rodrigo, Manuel Ponce, F. Moreno-Torroba, entre muitos outros.

Capricho Árabe - Francisco Tárrega (por Tatyana Ryzhkova)



Na metade do século XX, deu-se o último grande avanço do instrumento: as cordas, anteriormente feitas de metal e de tripas de carneiro, passaram a utilizar a nova tecnologia do nylon, cuja durabilidade, custo e confiabilidade obtiveram rápida e completa aceitação entre os intérpretes do violão. 

Árvore genealógica do violão - Século XVI ao XX

"Pra ser feliz só me basta uma Bíblia, um amor, um violão e um cafuné pra pegar no sono."     Joab Limn



BIBLIOGRAFIA


BRITO, Joziely Carmo de.  Ensino coletivo de instrumentos de cordas friccionadas: catalogação crítica. 2010. Dissertação (Mestrado em Música) – Universidade Federal da Bahia, Belém, 2010.

OLING e WHALLISCH, Bert e Heinz. Enciclopédia dos instrumentos musicais: Um guia abrangente dos instrumentos musicais do mundo. 1ª Ed. Lisboa: Livros e Livros, 2004. 256 f.

ORIGEM do violão. História do violão. Uberlândia. Disponível em: <http://www.demac.ufu.br/numut/historiadoviolao/historia_do_violao.swf.> Acesso em: 07 mar 2014.

PINTO, Henrique. Violão: um olhar pedagógico. São Paulo: Ricordi, 2005.

_______._______. Iniciação ao Violão: Princípios Básicos e Elementares para Principiantes. São Paulo: Ricordi, 1978.

QUEIROZ, Luis Ricardo S. O ensino do violão clássico sob uma perspectiva da educação musical contemporânea. 2000. 90 f. Dissertação (Mestrado em Música). Conservatório Brasileiro de Música, Rio de Janeiro, 2000.

STURROCK, Susan. Dicionário visual de música. São Paulo: Global, 2006.

TOURINHO, Cristina; WESTERMANN, Bruno; MOREIRA, João Geraldo Segala. Histórico do violão. Porto Alegre: UFRGS, 2008.

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